12 de Junho

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12 de Junho

Capítulo II

O tempo passava.

Devido aos cuidados com a saúde, William dava um tempo na correria. Fábio, agora era sua companhia fiel e inseparável. Os dois dividiam sonhos, projetos, problemas. Compartilhavam viagens, saídas e passeios. William, solteiro, já Fábio, namorando uma jovem estudante de medicina de nome Fernanda, que havia acabado de conhecer. Carla, estava afastada. Ela e William haviam novamente rompido. Porém, dessa vez os dois não se viam a semanas, preocupando Francisco, que havia estabelecido em mente que ambos se casariam em pouco tempo.

Carla, estava ocupada com outras coisas. No presente momento, encontrar-se com um estranho homem num restaurante simples longe da cidade e resolver de uma vez por todas o que lhe tirava o sono quase diariamente. Sua conversa aconteceria em segredo. Seus pais de nada desconfiavam. Finalmente ela havia encontrado alguém para ajudá-la a resolver seu problema mais urgente. Acordo selado, valor definido, sua rotina voltava aos poucos à normalidade. E isso não somente para Carla, como para muitos também.

Em Curitiba, Antônio havia recebido uma proposta irrecusável de uma promoção com transferência imediata para São Paulo. Como seu casamento continuava em risco, ele escolhia partir o quanto antes, depois de muito pensar e discutir a respeito com a esposa que, após ter certeza de que seu divórcio sairia caso decidisse não acompanhá-lo, abandonava sua ocupação, arrumava o que tinham, aprontava a filha e seguia o marido com o conselho e apoio dos pais. Tudo seria novo. Havia de sua parte uma apreensão e medo do desconhecido que Antônio ignorava em si mesmo.

Chegando à cidade, se instalavam em um pequeno apartamento já mobiliado, arranjado pela própria empresa. Imediatamente, Antônio deu entrada num bom plano de saúde para a família, certo que essa era sua prioridade. Já Lúcia, ficava encarregada de procurar uma boa escola para matricular a filha no próximo ano.

Bem instalados, e em perfeita harmonia, decidiram retornar ao plano de uma nova gravidez, que fora interrompida pelo ocorrido a filha.

Com Antônio ganhando razoavelmente bem e tendo uma boa quantia em conta, ele e sua esposa queriam um apartamento mais amplo no centro da capital paulista que ficasse mais próximo ao seu escritório de contabilidade, como também servisse para instalar mais confortavelmente um novo membro da família.

Ambos então ficavam a cargo de visitar imóveis e escolherem juntos. Um condomínio mansão na Alameda Sarutaiá chamava mais a atenção de Lúcia que todos os outros 11 imóveis que haviam visitado num curto período de tempo com a ajuda de um profissional da área. Achando um exagero tal luxo da esposa, Antônio esperava encontrar outro mais condizente com suas posses, cauteloso que era no início.

Sua intenção não era a longo prazo. Não gostava de acumular dívidas. No entanto, sua esposa pensava o oposto. Para Lúcia, só tinha coisas, bens, quem gastava, ainda que isso comprometesse um pouco da renda da família, não fazendo sentido trabalhar somente para guardar.

E apesar de nunca comprar desnecessariamente ou se endividar por nada, seu gosto pessoal sempre foi voltado para o elegante e o confortável, características muito apreciadas pelo marido, por isso começou a trabalhar cedo. Para ter suas coisinhas, como ela sempre gostou de chamar. Um controle ensinado por seus pais desde muito menina, e que ela aos poucos passava para a filha também.

Com os dias correndo e com a possibilidade de não ter o que queria, o tal imóvel não se desvalorizava, pelo contrário, poderia se valorizar ainda mais pela localização, e Lúcia continuava se recusando a ver outros.

Tanto que decidiu pegar o dinheiro que havia ganho vendendo bolos e salgados em Curitiba e investir numa pequena floricultura em Santana, na região norte de São Paulo que estava à venda, em parceria com uma vizinha ligada ao ramo.

Inclusive, foi ela quem lhe apresentou a proposta e o lugar. Pensava grande. Queria o melhor. Antônio a apoiava nessa nova empreitada.

E a segunda gravidez ficava para mais tarde, e mais tarde. Thyfane a acompanhava ao trabalho diariamente. Estava contente. Corria pra lá e pra cá no pouco espaço sem largar um botão de tulipas. Todo dia era assim. Somente as cores mudavam. Um dia era botão vermelho, no outro era botão roxo, no seguinte, amarelo.

Assim ela decidia que tulipas eram suas flores favoritas, encantando sua mãe. Não demorou muito e o local se tornou ainda mais conhecido graças ao bom atendimento e empatia das freguesas. Flores e plantas novas chegavam de acordo com novas encomendas.

Lúcia e sua sócia Cristina já forneciam flores e arranjos para igrejas, festas e eventos locais após uma extensa e cansativa divulgação no bairro e adjacências.

Tudo estava perfeito. Thyfane estava em casa. Drasticamente, ficava evidente o quanto que São Paulo estava lhe fazendo bem, e Antônio comemorava. Tanto que chegava em casa pegando a esposa de surpresa com uma notícia avassaladora.

Era início do mês de dezembro e Antônio havia finalmente decidido comprar o apartamento dos sonhos da mulher. Lúcia, recebia a notícia com empolgação e comemorava num misto de crença e descrença. A essa altura, Cristina já morava com o marido e dois filhos num belo apartamento financiado, vizinho à floricultura que tinham, fruto do duro trabalho que ambas tinham diariamente.

Já com as chaves do apartamento em mãos depois de legalizarem tudo, Lúcia agora entrava no imóvel como feliz proprietária do local apreciando e imaginando como tudo ficaria. Cores, móveis, eletrodomésticos, cortinas… Faltava apenas contratar uma decoradora. Estava em êxtase de tão empolgada com tudo.

Sem demora, uma vizinha de nome Mônica se apresentava após bater à porta em sinal de boas-vindas aos novos inquilinos. Fora simpatia de imediato. Tanto que seu filho Edgar e Thyfane se aproximavam para brincar.

Durante a conversa que estavam a ter, Mônica passava o contato de sua decoradora para orçamento. Lúcia, então, marcava um horário para se encontrarem e se assustava com o valor cobrado sem querer passar recibo de insatisfação e até mesmo definir por conta própria o valor do trabalho de outro.

Por conta disso, assinava o contrato da aquisição do serviço sem consultar primeiramente o marido. Lúcia, sabia que teria que trabalhar dobrado para arcar com tal gasto já que Antônio tinha salário fixo na empresa. Fora o dinheiro que estava guardado haver sido gasto em parte, para dar de entrada no imóvel de seus sonhos.

Assim, os dois teriam que se desdobrar ainda mais. Inclusive, Antônio, passaria a ajudar nos finais de semana na floricultura para garantir que a loja cumpriria com todas as encomendas que haviam se comprometido nos contratos antes assinados.

Aniversários, formaturas, eventos e etc., No fim do ano surgiu muito trabalho e tudo corria bem, apesar do dinheiro que havia sido investido por Lúcia estar longe de ser recuperado em sua totalidade. E isto estava muito bem entendido em sua mentalidade que seria assim.

Economizando aqui e ali, entravam no novo imóvel apenas com a cozinha mobiliada faltando menos de dois dias para o Natal.

Já instalados, as coisas caminhariam de acordo com a condição financeira de ambos. Até os quartos ficarem prontos os três dormiam em colchonetes no chão do quarto da área de serviço. Não haviam problemas e nem reclamações.

Thyfane nem sentia falta de sua cama, queria apenas dormir abraçada à mãe tendo o conforto e a segurança do seu pai por perto.

Passado o Natal e o Ano Novo no salão do prédio juntamente com a maioria dos condôminos, veio o carnaval. Em seguida, o ano letivo começava de fato.

Em seu primeiro dia de aula na nova escola, Thyfane entrava na sala chamando a atenção de todos. Sua beleza era rara no ambiente. Uma menininha sentada no fundo da sala de nome Vânia e mesma idade a encarava brava.

Retinta, de cabelos crespos pretos e olhos expressivos negros como pérolas negras, Vânia era falante e popular na escola inteira por sua espontaneidade e naturalidade nas brincadeiras que fazia. Crescia sem noção de filtro, características muito parecidas com a da avó paterna, com quem passava a maior parte das horas devido à profissão puxada da mãe.

Dias se passavam e ambas não se falavam. Vânia sentia ciúmes de toda a atenção que Thyfane vinha recebendo dos novos colegas. Atenção que anteriormente era dada somente a ela.

Com o tempo, Vânia foi se aproximando lentamente após Thyfane lhe oferecer sua merenda no recreio. E assim passaram-se a ser todos os dias. Um dia era bolo, no outro, torta. Um dia de chocolate, no outro, amendoim. Às vezes, de milho, às vezes de maracujá, limão… ora, pudim, ora, pavês, mousses, salgados.

Aos poucos, ambas se tornavam inseparáveis. Como consequência, suas mães também. Todo dia ao buscar a filha no colégio, Vanda, mãe de Vânia, trazia Thyfane também e a deixava na floricultura com a mãe. Quase sempre todas almoçavam juntas nos fundos da loja. Inclusive, Cristina.

Com o passar dos anos, o trio Edgar, Vânia e Thyfane estudavam e cresciam juntos. Tempo depois chegaram novos amigos. Passeios, saídas, diversão… faziam tudo juntos. E, assim, cresciam…

FIM

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